Hoje sou um homem que ama demais! Amar demais nunca foi um problema, a não ser que seu amor não seja capaz de preencher a pessoa que você ama. Toda vez que alguém precisar de um amor verdadeiro, pode me chamar. Eu sei amar.
Infelizmente, nem todas as pessoas querem um amor na vida. Algumas querem prazer, liberdade, aventuras, perigos, desilusões, dor, solidão e mesmo a tristeza. Nem todas as pessoas estão preparadas para serem amadas e outras menos ainda para amar. Cabe a cada um saber o que lhe faz feliz e ser do jeito que achar melhor. E cabe a nós, apaixonados eternos, recolhermos nosso sentimento até ao pleno esvaziamento de si.
Hoje, escolhi me lançar na incrível aventura de não mais amar, ou pelo menos, de amar menos. Não sei se irei conseguir isso. Exatamente por isso iniciei esse blog para partilhar com outras pessoas o que me inflama o coração no silêncio das noites solitárias.
Irei me lançar, romanticamente, em uma aventura para abandonar o Amor na porta de algum convento onde ele seja adotado. Lançá-lo em algum rio dentro de um cesto para ver se ele libertará uma nação qualquer que esteja escravizada. Vou entregá-lo com um beijo para ser crucificado, para morrer em nome daquele ser que ama. Morrer sem causa, gratuitamente, livre na insustentável leveza de ser Amor.
Peço a vocês que por ventura venham a ler essas linhas ridículas de um ser ridículo que não interpretem como ridícula a minha intenção. Por que deixar de amar? Por que amar menos? Por que o objeto desse Amor não mais o quer vivo. Mandou matá-lo, apedrejá-lo, assassiná-lo porque ele não mais serve pra nada. Não tenho como matar um ser tão perfeito e bonito, mas posso enterrá-lo vivo, amarrado e amordaçado. Não quero ouvir seus gritos perdidos na noite fria e escura. Não vou chorar seu enterro, nem temer por sua morte. Vou apenas esperar. Esperar que a falta de oxigênio o mate lentamente. Vou esperar que a fome o transforme em um ser disforme. Vou aguardar que a terrível sede o resseque por dentro e por fora. De que vale um Amor seco? De que vale um Amor morto?
Sou um poeta, um apaixonado sem causa, um romântico insano e perdido e vazio. Ao invés de exterminar o Amor, eu preferiria destiná-lo a outra pessoa. Mas isso não é possível. O Amor é pessoal, único e intransferível. Se ele não agradar, caberá a morte como seu destino.
Obrigado a todos por caminharem comigo. Já não aguento mais caminhar sozinho, carregando nos braços um Amor moribundo, o qual não tenho coragem de matar, enterrar e nem de abandonar na estrada. Ele está pesado demais porque o estou carregando sozinho. Carrego sozinho algo que foi feito para ser carregado por pelo menos duas pessoas. Duas pessoas que acreditam que a vida do Amor transforma as suas vidas em vidas melhores.
Vou conseguir meu objetivo, mas caso alguém queira adotá-lo, por favor, segure minha mão antes que a faca afiada rasgue a carne seca do Amor semi-morto.
Yuri Cruz+
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