sexta-feira, 15 de maio de 2015

O que Evitar e o que Buscar para o Sucesso na Vida Espiritual

Seis e Seis: O que Evitar e o que Buscar para o Sucesso na Vida Espiritual

24 I (artigo - Sadhana) Seis e Seis (1003)


A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada

De acordo com Srila Rupa Gosvami, existem seis impedimentos à execução do serviço devocional, bem como seis atividades favoráveis ao progresso no serviço devocional. Com seu conhecimento vivenciado e sua escrita inconfundível, Srila Prabhupada comenta sobre cada um deles de maneira prática e profunda.

De acordo com Śrīla Rūpa Gosvāmī, existem seis impedimentos à execução do serviço devocional, bem como seis atividades favoráveis ao progresso no serviço devocional.

O primeiro impedimento é atyāhāra: comer excessivamente ou acumular mais riqueza do que necessitamos. Quando soltamos as rédeas dos sentidos em um empenho de desfrutar ao máximo, nós nos degradamos. Um devoto, portanto, deve comer apenas o suficiente para manter corpo e alma juntos; não deve conferir licença irrestrita à sua língua, permitindo que coma tudo o que queira. OBhagavad-gītā e os grandes ācāryas, ou mestres espirituais, prescreveram certos alimentos para os seres humanos, e quem come esses alimentos está no modo da bondade. Tais alimentos incluem grãos, frutas, legumes, verduras, produtos lácteos e açúcar – e nada mais. Um devoto não come com extravagância; ele simplesmente come o que ele oferece ao Senhor Supremo, Kṛṣṇa. Ele está interessado em kṛṣṇa-prasāda (alimento oferecido ao Senhor), e não em satisfazer sua língua. Portanto, ele não deseja nada extraordinário para comer.



Comer excessivamente é um dos hábitos que impedem a execução do serviço devocional.

De maneira similar, um devoto não deseja acumular um grande saldo bancário: ele apenas ganha o quanto precise. Isso se chama yāvad-artha, ou yuktāhāra. No mundo material, todos são muito ativos em relação a ganhar mais e mais dinheiro e em relação a ampliar o seu comer, o seu tempo de sono e sua gratificação dos sentidos – essa é a missão da vida da maioria das pessoas. Entretanto, essas atividades devem estar ausentes da vida de um devoto.

O próximo impedimento que Śrīla Rūpa Gosvāmī menciona é prayāsa: esforçar-se muito duramente para obter coisas materiais. Um devoto não deve ter muito entusiasmo quanto a alcançar alguma meta material. Ele não deve ser como pessoas que se ocupam em atividades fruitivas, que trabalham muito duro dia e noite para conquistarem recompensas materiais. Todas essas pessoas têm alguma ambição – tornar-se um grande empresário, tornar-se um grande industrialista, tornar-se um grande poeta ou filósofo. Entretanto, não sabem que, mesmo se sua ambição for realizada, o resultado é temporário. Tão logo o corpo se acabe, todas as obtenções materiais também estão acabadas. Ninguém leva consigo algo que tenha conquistado materialmente neste mundo. A única coisa que pode levar consigo é sua propriedade do serviço devocional; somente isso jamais se perde.

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Um devoto não cede a conversas desnecessárias sobre política e economia.

O próximo impedimento ao serviço devocional é prajalpa: falar sobre assuntos mundanos. Muitas pessoas conversam desnecessariamente sobre os acontecimentos diários publicados nos jornais e gastam seu tempo sem nenhum ganho. Um devoto, no entanto, não cede a conversas desnecessárias sobre política e economia. Tampouco um devoto é muito estrito quanto a seguir regras e regulações ritualísticas mencionadas nos Vedas. Enamorar-se desses rituais é o próximo impedimento, chamadoniyamāgraha. Porque o devoto ocupa-se completamente no serviço supremo ao Senhor, ele automaticamente cumpre todas as outras obrigações e não tem que executar todos os detalhes dos rituais védicos. Como o Śrīmad-Bhāgavatam (11.5.41) diz:

devarṣi-bhūtāpta-nṛṇāṁ pitṝṇāṁ
na kiṅkaro nāyam ṛṇī ca rājan
sarvātmanā yaḥ śaraṇaṁ śaraṇyaṁ
gato mukundaṁ parihṛtya kartam

“Todo ser humano nascido neste mundo contrai imediatamente uma dívida com os semideuses, os grandes sábios, as entidades vivas comuns, a família, a sociedade e assim por diante. Todavia, uma pessoa que se rende aos pés de lótus do Senhor e se ocupa completamente a Seu serviço não tem dívidas para com mais ninguém. Em outras palavras, não tem nenhuma obrigação a cumprir senão prestar serviço devocional”.

Finalmente, um devoto não deve ser ganancioso (laulyam), nem deve se misturar com homens materialistas quaisquer (jana-saṅga).

Esses são seis nãos para o devoto. Portanto, quem deseja alcançar o estágio de perfeição do amor a Deus abstém-se de tais coisas.

Similarmente, há seis itens positivos para avanço no serviço devocional. Primeiro, ao mesmo tempo em que a pessoa não deve ter entusiasmo no tocante a conquistas materiais, deve ter muito entusiasmo quanto a atingir o estágio de perfeição do serviço devocional. Esse entusiasmo se chama utsāha. Uma entidade viva não pode parar de agir. Então, quando recebe a proibição de ter entusiasmo ligado a conquistas materiais, deve ser de imediato encorajada a ter entusiasmo em relação a conquistas espirituais. Entusiasmo é um sintoma da entidade viva; isso não pode ser interrompido. É como um poderoso engenho: se você utilizá-lo apropriadamente, produzirá em grande abundância. Portanto, o entusiasmo deve ser purificado. Em vez de empregar seu entusiasmo na conquista de metas materiais, a pessoa deve ter entusiasmo no tocante a alcançar o estágio de perfeição do serviço devocional. Com efeito, entusiasmar Seus devotos no serviço devocional é o propósito pelo qual Kṛṣṇa faz Seu advento neste mundo material.



Quando uma pessoa recebe a proibição de ter entusiasmo ligado a conquistas materiais, deve ser de imediato encorajada a ter entusiasmo em relação a conquistas espirituais.

O próximo item favorável ao serviço devocional é niścaya: confiança. Quando alguém se sente desapontado em serviço ao Senhor Supremo, esse desapontamento tem que ser rejeitado e substituído por confiança na conquista da meta última, o amor a Deus. O devoto deve seguir pacientemente as regras e regulações do serviço devocional a fim de que chegue o dia em que ele auferirá, muito de repente, toda a perfeição do serviço devocional. Ele não deve se lamentar por nenhuma perda ou revés em seu avanço na vida espiritual. Essa paciência (dhairya) é o terceiro item positivo para se avançar no serviço devocional.

Ademais, um devoto puro não experiencia inveja, ódio ou preguiça no desempenho do serviço devocional. Confiante de seu avanço, ele continuamente realiza seus deveres devocionais prescritos. Isso se chama tat-tat-karma-pravartana.


Os dois últimos itens são saṅga-tyāga, “abandonar a companhia de não-devotos”, e sato-vṛtti, “seguir os passos dos ācāryas anteriores”. Essas práticas ajudam imensamente o devoto a permanecer fixo no caminho do serviço devocional e evitar a tendência a desfrutar de coisas materiais temporárias. Assim, as atividades de um devoto permanecem sempre puras e sem nenhuma contaminação do mundo material.

                                                                                      Fonte: www.voltaaosupremo.com 

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Saudade


Saudade é querer ter de volta aquilo que já se foi.
É desejar o indesejável. Querer o que não é.
Fico pensando se a saudade não seria um egoísmo disfarçado de vontade de amar.
Toda vontade de amar já é amor e todo amor é desejo de vontade eterna.

Minha alma inflama quando penso nela, que se foi antes do tempo.
Foi porque assim é a vida do ser: idas e vindas. Eterno vai e vem pra longe e pra perto.
Quisera eu ir também pra perto de quem se foi. Mas não posso!
Não posso porque essa vida não me pertence e dela não posso desfazer.

Meus dias de sol agora são iguais aos de chuva: apenas um dia qualquer...
Todas as manhãs meu peito se abre de saudade e se retrai de solidão.
Sentir saudade é ter vontade de ter perto, pertinho. 
É querer que aquele que não está, esteja.
É esperar a voz próxima, o calor trocado no abraço e o beijo selado de verdade.
Esperar... Apenas esperar...

Quem nunca sentiu saudade não sabe o que amar de longe.
Muitos estão pertos e amam de longe. Muitos estão distantes e amam de perto.
Eu te amo, mesmo de longe. Mesmo que não ouça mais sua voz, te amo.
Mesmo que o tempo nos separe pelos cruéis laços dos ponteiros afiados.
Amo-te! Nasci e vivi te amando até o dia em que partiu.
Hoje te amo muito mais que antes.

Saudade, sinônimo de lágrimas afagando os olhos.
Saudade; espera eterna de quem se foi.
Sinto saudade de você, mas sinto um amor muito maior e mais inteiro.

Saudade; egoísmo disfarçado de amor ou amor enfeitado de distância?

Yuri cruz

terça-feira, 29 de maio de 2012

Amor de Menos

Hoje sou um homem que ama demais! Amar demais nunca foi um problema, a não ser que seu amor não seja capaz de preencher a pessoa que você ama. Toda vez que alguém precisar de um amor verdadeiro, pode me chamar. Eu sei amar.

Infelizmente, nem todas as pessoas querem um amor na vida. Algumas querem prazer, liberdade, aventuras, perigos, desilusões, dor, solidão e mesmo a tristeza. Nem todas as pessoas estão preparadas para serem amadas e outras menos ainda para amar. Cabe a cada um saber o que lhe faz feliz e ser do jeito que achar melhor. E cabe a nós, apaixonados eternos, recolhermos nosso sentimento até ao pleno esvaziamento de si.

Hoje, escolhi me lançar na incrível aventura de não mais amar, ou pelo menos, de amar menos. Não sei se irei conseguir isso. Exatamente por isso iniciei esse blog para partilhar com outras pessoas o que me inflama o coração no silêncio das noites solitárias.

Irei me lançar, romanticamente, em uma aventura para abandonar o Amor na porta de algum convento onde ele seja adotado. Lançá-lo em algum rio dentro de um cesto para ver se ele libertará uma nação qualquer que esteja escravizada. Vou entregá-lo com um beijo para ser crucificado, para morrer em nome daquele ser que ama. Morrer sem causa, gratuitamente, livre na insustentável leveza de ser Amor.

Peço a vocês que por ventura venham a ler essas linhas ridículas de um ser ridículo que não interpretem como ridícula a minha intenção. Por que deixar de amar? Por que amar menos? Por que o objeto desse Amor não mais o quer vivo. Mandou matá-lo, apedrejá-lo, assassiná-lo porque ele não mais serve pra nada. Não tenho como matar um ser tão perfeito e bonito, mas posso enterrá-lo vivo, amarrado e amordaçado. Não quero ouvir seus gritos perdidos na noite fria e escura. Não vou chorar seu enterro, nem temer por sua morte. Vou apenas esperar. Esperar que a falta de oxigênio o mate lentamente. Vou esperar que a fome o transforme em um ser disforme. Vou aguardar que a terrível sede o resseque por dentro e por fora. De que vale um Amor seco? De que vale um Amor morto?

Sou um poeta, um apaixonado sem causa, um romântico insano e perdido e vazio. Ao invés de exterminar o Amor, eu preferiria destiná-lo a outra pessoa. Mas isso não é possível. O Amor é pessoal, único e intransferível. Se ele não agradar, caberá a morte como seu destino.

Obrigado a todos por caminharem comigo. Já não aguento mais caminhar sozinho, carregando nos braços um Amor moribundo, o qual não tenho coragem de matar, enterrar e nem de abandonar na estrada. Ele está pesado demais porque o estou carregando sozinho. Carrego sozinho algo que foi feito para ser carregado por pelo menos duas pessoas. Duas pessoas que acreditam que a vida do Amor transforma as suas vidas em vidas melhores.

Vou conseguir meu objetivo, mas caso alguém queira adotá-lo, por favor, segure minha mão antes que a faca afiada rasgue a carne seca do Amor semi-morto.

Yuri Cruz+